E os dias passam, os meses passam e eu vou deixando as coisas para depois.
É o tal procrastinar, palavra que acho esquisita demais mas na qual estou me tornando especialista.
Eu queria fazer um blog com minhas coisas de fotografia. Queria, porque a única coisa que fiz foi criar a página, aqui mesmo no wordpress, e depois ainda paguei um domínio, para não fazer coisa alguma. Mas fico pensando, se nem esse blog daqui que não tem compromisso nenhum de parecer sério eu atualizo, imagina uma página que tenha que parecer mais profissional.
O problema desse daqui é querer escrever coisas mas não querer me expor. Ou me indispor, mais precisamente. Tenho lido nos blog de amigos que no fim todo mundo tem algum tipo de preocupação na hora de escrever. E se eu falar o que penso de pessoas, situações, de discussões idiotas, o que vão pensar? E os envolvidos, vão se ofender? Enfim, dai acabo nem escrevendo.
De abril para cá, quando não escrevi mais, fotografei pela primeira vez uma casamento. Foi super bacana, mas também estressante – eu estava mais nervosa que no meu casamento, por causa da responsabilidade, ainda mais sendo gente da família. Fez eu pensar sobre querer cobrir fotograficamente eventos, e ainda não cheguei numa conclusão final. Mas meus sobrinhos estavam lindos, a decoração estava muito bonita e as fotos ficaram legais. Agora ainda resta finalizar o álbum de casamento. (que agora se chama fotolivro e é outra grande responsabilidade montar.)
Andei doente e tendo que tomar antibióticos, que detesto. Fui em três médicos e agora que o tratamento acabou percebo que minha tosse está voltando. É um saco. Não sei se foram essas coisas que me deixaram mais irritada, o fato é que me irritei. Por exemplo: faço parte de dois fotoclubes e num deles tentei fazer comentários para tentar ajudar e fui mal interpretada. Acaba que fico com fama de cricri. Tenho tido impressão, em vários meios que convivo, que ter opinião e ser crítica não é bem-vindo. Eu já tenho uma fama de ser “do contra” e até hoje nunca tinha me irritado ou me chateado com isso (aliás, antigamente isso me dava até um certo prazer). Mas sinto que estou ficando cansada. Gasto uma energia que já não está sobrando (será a idade?) para argumentar com os mais diversos tipos de pessoas e defender minhas opiniões. Não tenho mais certeza de que vale a pena, e os episódios no fotoclube, embora sem muita importância no final das contas, me abriram os olhos. Vou argumentar com quem merece uma argumentação. De chatos, quero distância. De quem vê maldade em tudo, mais ainda.
Eu tenho facilidade para fazer amigos. Mas a engenharia necessária também tem me cansado um pouco. Tenho amigos que não se dão entre si. Isso já vem de longe, desde o tempo da faculdade. Fazer uma festa e convidar todo mundo? Nem pensar. E ai que já vou desistindo de organizar a tal festa. Ou de tentar montar uma exposição de fotos, por exemplo. Devia ligar o foda-se e convidar todo mundo, mas não quero saia justa, não quero carão. Acima de tudo, não quero ter que dar explicação.
Mas falando em festa, domingo foi o aniversário da minha mãe. Adoro. A casa cheia de gente, as mesadas de amigos sentando para o chá na cozinha, enquanto outros esperam sua vez contando piada na sala. A gente se diverte. Chegou uma hora em que fiquei analisando. Todos que aparecem gostam muito da minha mãe. Ela é realmente uma pessoa especial. Na simplicidade dela uma grande sabedoria. Não interessa que ela tenha estudado só até a 5ª série: ela sabe ver por trás das aparências e gostar das pessoas pelo que elas são. Isso não é mais tão comum hoje em dia, pelo que posso perceber. “Ter” tem se mostrado tão mais importante para a maioria. Abre (parênteses): aliás, nas minhas análises sobre as pessoas, o que mais vejo é gente esquecendo de onde veio, dando importância para as coisas materiais, as roupas de marca, as viagens, os carros, as casas ricamente decoradas, as plásticas. Gente que veio do mesmo lugar que eu, que sentava na grama para comer frango com farofa como eu. Se tem uma coisa que me dá nojo é isso. Fecha (parênteses).
Bom, não fecha parênteses tanto assim não. Pulando de galho em galho na internet acabei caindo num blog chamado Adoro melancia, onde uma mãe faz relatos sobre a filha pequena. O post chamado Mochila de rodinhas me levou direto para meus primeiros tempos de escola. Quase um soco no estômago. Não é de hoje que as crianças são más e no meu tempo elas já eram. Lembrei de ser menosprezada por não ter as coisas da moda, já que estudava em escola particular mas tinha bolsa de estudos, ou seja, a grana já era meio curta. O texto mostra que as coisas só pioraram desde aquele tempo. E eu vejo isso ao vivo, buscando minha afilhada na escola: meninas de 5 anos cada vez mais valorizam se a saia é da Polly, se a bota é da Barbie, enfim, vão se criando nesses valores onde TER é o que importa. Me pergunto que mundo é esse que estamos deixando. Juro, isso me desanima pra caramba.
Bom, já escrevi um monte, misturei assuntos tipo salada de frutas e como sempre acabo reclamando.
Mas prometo tentar escrever com mais frequência, nem que seja só os meus mimimis! =D
beiju